Estou no meio daquele momento em que a gente fica à margem de um rio – um daqueles rios importantes que se defrontam à frente da estrada da Vida. Fico observando, não a margem oposta, mas a extensão do rio, onde os objetos são arrastados pelas correntezas, os mais diversos objetos: fragmentos de lembranças, pessoas, lugares e etc. Ali, fico assistindo com que força elas são levados pelas águas, para que eu possa tomar uma decisão: de saltar ou ficar onde estou.
Indeciso? Não, analítico; ou seja, fazendo a leitura do esforço a que terei que me expor para atravessar esse rio chamado Escolha.
Lá do outro lado, há alguém acenando; contudo o Rio-da-Escolha tem largura suficiente para que a pessoa da margem oposta fique pequena de modo que não se a reconheça ao certo ou a ouça bem, devido o barulho das águas... Daí, você dizer e dizer, mas eu não ouvir, mas eu não acreditar, quando você insiste que gosta de mim, que eu sou bonito, especial, maravilhoso e etc...
Talvez, eu lance um bote. Talvez, eu vista um colete. Talvez monte uma tirolesa. Não sei! Algo tem que acontecer, para que eu me mova do estado analítico e tome um passo adiante à água fria de inverno em direção ao Rio-da-Escolha.
Eu sei que você tem força, coragem e técnica e, talvez também tenha um barco para atravessar o Rio e vir me encontrar. Até já me disse, demonstrou, que sim. Mas, o Rio só existe do meu lado.
Eu sei que você tem força, coragem e técnica e, talvez também tenha um barco para atravessar o Rio e vir me encontrar. Até já me disse, demonstrou, que sim. Mas, o Rio só existe do meu lado.
Se você olhar do seu lado para o meu, não verá um rio, verá uma janela aberta, e, através dela, um campo florido; por entre ele, uma estrada cheia de girassóis abertos, apontando para mim ao seu término. Essa é sua Estrada-da-Fantasia. Onde, quem está aos pés dela, lá no finalzinho, é um ser esbelto, de cabelos finos, de olhos castanhos claros, de lábios finos, de alma quieta, de visão estreita – no momento – de coragem pequena, e de mistérios enormes, de alma encolhida e fechada para balanço que, ao olhar para direção da sua Estrada-de-Girassóis, vê um Rio, o qual o denomina, O Rio-da-Escolha.
Estes dois pontos de vistas dúbios, porém, idênticos para a mesma situação, fazem de nós duas criaturas especiais nessa cidade de tantos outros.
Assim, a Vida está tentando unir, por uma ponte, uma estrada cheia de flores lindas e delicadas um Rio cheio de correntezas e objetos perigosos, que passam por ele.
Não sei se me lançarei nas águas frias e rápidas desse Rio, da mesma forma que você possa se sentir atraída e encantada pela cor e perfume dos girassóis e vir em minha direção, ou se esperaremos a Vida construir a ponte entre nós. Mas, certamente, eu precisarei de sua mão, do seu pé e de seu coração.
Ao me ver dormir, pense: se ele acordar, que venha pela estrada dos meus girassóis!

