Certa vez eu me relacionei com a Mentira.
Foram dias alegres em sua companhia.
Sua verdade era tão pura que a
denominaram simplesmente Mentira.
Era infante, previsível e descompromissada.
Foram alguns meses sobre esse domínio pueril.
Pois a embriaguez que nos traz sua inconseqüência
nos cobra alto até o último ceitil.
A mentira é provocante no limite que reclamamos a certeza,
depois ela mesma se desfaz como
uma noite de verão,
nos lembrando que é sempre tarde no seu relógio,
mas nunca cedo na sua razão.
Pois olhei bem dentro dos seus olhos,
toquei sua carne mole
que queimava
aos poucos
o que a Vida
me presenteara
Então, confesso:
não há nada
no fundo daqueles olhos
a não ser minha imagem
bonita!
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